Compartilhando pesquisas e experiências sobre Fotografia

A fotografia desempenha, hoje, um grande papel na sociedade ocidental moderna. E não falo só via internet e meios de comunicação, falo na vida analógica de todos nós, na palpável, na concreta, na vivível. Quando falamos de fotografia e sociedade também estamos falando de memória, uma memória que antes estava diretamente ligada as longas narrativas de nossos avós, bisavós e algumas vezes, pais.

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O estilo de vida de hoje mudou, o tempo é um inimigo das relações pessoais, da vida social e consequentemente do resgate dessa memória. Memória essa que deveríamos buscar no presente, nas narrativas de agora, nossa história do passado. É incrível isso, né? E com toda essa mudanã no estilo de vida, acabamos não dando atenção como deveríamos para essa contrução de uma linguagem narrativa da memória.

Lembro muito bem, quando eu era criança, todos os dias pela manhã quando meu pai me levava para a escola, ía contando milhares de histórias sobre sua vida, de sua família e de seus amigos. Lições de vida, contos, fatos e mitos que jamais saberei ao certo o que realmente aconteceu. Quando nasci, meu pai já tinha seus 40 anos então teve uma relação pai/avó que fez muita diferença.

Na maioria das vezes, eu nem gostava daquelas histórias, muitas nem pareciam fazer sentido, sem conexão com nada que eu havia pensado na vida (só pensava em brincar), mas, por ver sua empolgação e interesse ao me contar, fazia carinhas de interesse que eu sabia que ele ficaria feliz. O tempo foi passando, as histórias se repetiam, as formas de contar em algumas vezes mudaram, em outras não mudou nenhum pouco, com a mesma linguagem e mesma estratégia, só que foram comeãndo a fazer sentido pra mim, os contos e fatos foram criando um vínculo com a minha história.

Meu pai continua presente e sempre que ele tem a oportunidade ele conta todas as histórias de novo, mas a vida mudou, eu casei, e a vida corrida, minha e dele não deixa nos encontrar com frequencia como gostaríamos. O que me conforta são as fotografias, é saber que posso pegar alguns pedaços de papel com imagens fixadas que contam milhares de histórias. Que eterniza essa memória.

A fotografia serve de consolo e suporte de memória para mim, para muitos ela é a única memória, muitos tem em casa milhares e milhares de fotografias que não dizem nada. Porque não tiveram a chance que eu tive de ouvir histórias, não só do meu pai, como também da minha tia, minha vó, e ainda hoje, minha mãe e minhas tias.

Na tentativa de recordar o não contado, pessoas até inventam histórias, contam e até recriam acontecimentos a partir dessas fotografias de família. Forjadas ou não a fotografia é a revelação de acontecimentos da história de uma determinada pessoa que provavelmente se importa com essa memória. Uma memória eternizada.

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