Compartilhando pesquisas e experiências sobre Fotografia

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Arrisco dizer que hoje, o principal suporte de comunicação na era pós-moderna é a fotografia jornalística.

O mundo é imagético, aprendemos a conhecê-lo por suas representações antes mesmo de aprender a falar, na infância, e o estímulo visual vem sempre antes do verbal. É comum ler uma revista ou manchete de jornal por ter-se interessado pela imagem que a ilustra, porque a imagem vem sempre antes da palavra, e a exemplo do que foi dito aqui toda imagem jornalística acompanha ou vem acompanhada por uma legenda que assume o papel de elo de ligação entre espectador e acontecimento.

No princípio, as recentes manifestações foram recebidas com conservadorismo. A mídia tradicional na tentativa de desmoralizar a revolta popular caracterizando manifestantes como vândalos e baderneiros e os jornais divulgando imagens de violência. Uma semana passada e a máscara caiu, esta mesma mídia, com a verdade estampada que circulava em massa na internet e tendo muitos de seus profissionais, jornalistas e fotógrafos, feridos pela polícia militar em um episódio ditatorial de repressão, foi obrigada a mudar seu discurso. Começaram a ocorrer fotografias de ruas tomadas e cartazes de repúdio a violência.

O que é interessante discutir sobre os fatos recentes é que a fotografia jornalística difundida pelos meios tradicionais de comunicação, assim como o vídeo, pela televisão, tem como objetivo fundamental atestar a realidade que se apresenta, pois tem a propriedade de pressupor a verdade. Esquecemos, entretanto, que a fotografia mente. Ela representa a realidade de acordo com o interesse do fotógrafo, ou, neste caso, da posição política do meio ao qual está veiculada. E isto ficou claro durante os protestos de junho. Nós fotógrafos podemos optar por um enquadramento em detrimento de outro, dependendo de nossas intenções, e assim manipular a opinião de outras pessoas sobre um assunto, se assim se quiser. Cabe a nós decidir qual a verdade a ser contada. A fotografia como representação jamais poderá conter toda a verdade.

O que estranhamente a mídia tradicional não previu é que os próprios manifestantes pudessem contar sua versão, pela internet, com celulares e câmeras à mão e um poder de alcance mundial. Estes fotojornalistas, profissionais e amadores, conseguiram virar a opinião pública a seu favor, introduzindo luz sobre a unilateralidade de informação, coisa antes impossível. A mídia caiu, como também caiu a ilusão de que o Brasil é um país desenvolvido, economicamente estável e que sua população está satisfeita com o país em que vive.

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