Compartilhando pesquisas e experiências sobre Fotografia

O Fantástico sempre esteve contido na obra fotográfica de Boris Kossoy, segundo sua própria definição “todo registro é obtido a partir de um complexo processo de criação/construção do fotógrafo; portanto, trata-se de uma elaboração que tem o ficcional como componente constituinte – por natureza. A fotografia sempre se presta – ou é planejada – a atender determinados usos. Daí não ser um registro objetivo da realidade e, sim, suporte de um processo de construção de realidades: ficções documentais.” Em sua primeira publicação “Viagem pelo fantástico“, nos é apresentado o irreal em sua forma literal por meio de imagens que causam estranheza, a meu ver, não por seu conteúdo aparentemente surreal, mas paradoxalmente por sua natureza possível, que entra em conflito com este surrealismo por meio da característica essencial de toda fotografia como registro da realidade – dada a presença do referente. Toma forma então o que vou denominar metalinguagem imagética, uma vez que o tema irreal da obra de Kossoy se encontra representado por um suporte que em sua natureza, na verdade, não reproduz de forma fiel a realidade, mas a interpreta, ja que “a vida não são detalhes significativos, instantes reveladores, fixos para sempre. As fotografias sim”.

Boris Kossoy temnafotografia

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Kossoy foi também fundador do Grupo Photo Gallery, reunindo fotógrafos de diversas áreas a fim de criar um Mercado da fotografia, ainda insípido no Brasil na década de 70: “Nosso projeto era o de criar um mercado para a aquisição da fotografia como objeto de arte, uma proposta que tinha um fim educativo de demonstrar a importância da fotografia como forma de expressão.”

Posteriormente porém, Kossoy passa a buscar o componente fantástico oculto na realidade em oposição à representação plástica de “Viagem pelo fantástico”.

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“Para mim o fantástico continua naquele senhor sentado em um banco no parque que remete ao filme Blow up. O fato de ele não saber que tirei essa fotografia – provavelmente já morreu e nunca a viu – mas continuar vivendo na imagem remete à ideia de outras vidas, de outros mundos.”

Também torna evidente em suas “Cenas de Nova Iorque” o interesse pela arquitetura, profissão na qual é formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

boris kossoy cenas de new york

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Boris Kossoy cenas de new york

Já em “Cartões Anti-Postais“, se interessa em retratar uma realidade não ideal do Brasil, em oposição à um país que sustentava um ideal de beleza ufanista durante o regime militar.

cartões antipostais

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Como visto nos ensaios anteriores, o fantástico deixa de ser o tema da fotografia de Boris Kossoy e passa a fazer parte da sua estética. É preciso atentar à livre associação que nos apresenta o fotógrafo, quando justapõe, numa mesma imagem, elementos conflitantes, como uma cena encontrada ao acaso, porém, devidamente produzida para causar ao espectador um sobressalto. Sustentado pela interpretação da realidade proporcionada pela imagem fotográfica, o artista Kossoy situa sua fotografia num ponto de vista extremamente particular que nos induz a pensar naquela “ideia de outras vidas, outros mundos”, o mundo-imagem que, fazendo alusão a nossa realidade, conserva sua própria ordem.

Boris Kossoy nasceu em São Paulo, 1941, e durante quase 50 anos se curvou sobre a problemática da fotografia sendo conhecido sobretudo por suas publicações teóricas que contam mais de uma dezena, entre eles “Realidades e Ficções na trama fotográfica” (Ateliê Editorial 2002), “Os tempos da fotografia, o efêmero e o perpétuo” (Ateliê Editorial 2007) e “Fotografia e História” (Ateliê Editorial, 2001). É atualmente professor titular de Pós-Graduação na Universidade de São Paulo e membro do Conselho Consultivo da coleção Pirelli-Masp, além de continuar seu trabalho como Pesquisador e Historiador na área de Fotografia.

KOSSOY, Boris. Em entrevista para o jornal O Globo, Setembro, 2010.

SONTAG, Susan. Sobre Fotografia, Companhia das Letras, 2004.

KOSSOY, Boris. Em entrevista para a revista Digital Photographer Brasil, Março, 2012.

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